Reforma Tributária para Prestadores de Serviços: O que muda em 2026 e 2027
- Fábio Carvalho
- 6 de jan.
- 4 min de leitura
A Reforma Tributária que começa a ser implementada no Brasil a partir de 2026 inaugura uma transformação profunda na tributação do consumo. Para prestadores de serviços — profissionais liberais, empresas de serviços, autônomos, consultorias, agências, clínicas, entre outros — os impactos são amplos e exigem atenção redobrada.
A seguir, você encontra um panorama completo das principais mudanças e orientações para 2026 e 2027.

1. Novo Modelo Tributário: CBS e IBS
A reforma substitui cinco tributos atuais por dois novos:
CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — tributo federal.
IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) — tributo estadual e municipal.
Esses novos impostos seguem o modelo do IVA dual (imposto sobre valor agregado), adotado em diversos países. Eles substituem gradualmente:
PIS e Cofins → substituídos pela CBS.
ICMS e ISS → substituídos pelo IBS.
Parte do IPI → substituído pelo Imposto Seletivo (IS).
2. Como será a transição em 2026
O ano de 2026 é um período de testes, sem impacto financeiro direto — mas com grandes impactos operacionais.
Principais características de 2026:
✔ Alíquotas simbólicas
As empresas devem destacar nas notas fiscais:
0,9% de CBS
0,1% de IBS
Esses valores não serão recolhidos em 2026 — servem apenas para testar sistemas, notas fiscais e processos.
✔ Convivência entre o sistema antigo e o novo
PIS, Cofins, ISS e ICMS continuam valendo.
Empresas precisarão operar simultaneamente com os dois modelos.
✔ Foco em ajustes operacionais
2026 exigirá:
Atualização de ERPs e emissores de notas.
Adequação de cadastros de itens e serviços.
Revisão do fluxo de apuração fiscal.
Adoção dos novos códigos NBS, cClassTrib e cIndOp na NFS-e.
✔ NFS-e Nacional obrigatória
A partir de janeiro de 2026, a Nota Fiscal de Serviço Eletrônica em padrão nacional se torna obrigatória para todos os municípios, integrando o sistema ao novo modelo de tributação.Isso facilita o compartilhamento de dados entre Receita Federal, estados e municípios.
✔ Ausência de penalidades no início
Há previsão de um período inicial sem penalidades para erros de preenchimento dos novos campos, até que empresas se adaptem completamente.
3. O que muda para prestadores de serviços
Os prestadores de serviços são um dos segmentos mais impactados devido à natureza da tributação baseada no valor agregado. No setor de serviços, a maior parte do custo geralmente vem da mão de obra, que não gera créditos fiscais.
Principais impactos:
3.1. Possível aumento da carga tributária
Setores intensivos em mão de obra (advocacia, saúde, consultoria, marketing, tecnologia, educação) poderão pagar mais, já que terão menos créditos para abater.
3.2. Regras de crédito mais rígidas
Somente serão aceitos créditos previstos em regras nacionais padronizadas, e a empresa só terá direito ao crédito se o fornecedor tiver recolhido corretamente o tributo.
3.3. Tributação uniforme
Espera-se uma alíquota final de 25% a 27% para IBS + CBS, segundo estimativas.
3.4. Recolhimento automatizado
O sistema da Receita Federal fará apuração automática com base nas notas emitidas, exigindo cadastros impecáveis e compliance constante.
3.5. Melhor padronização nacional
A extinção do ISS reduz disputas entre municípios e amplia previsibilidade.
4. Mudanças estruturais que exigem atenção já em 2026
Mesmo sem efeitos financeiros imediatos, o ano de teste impacta:
✔ Precificação
Empresas terão que revisar margens considerando:
Nova base de cálculo por valor agregado.
Futuras alíquotas plenas a partir de 2027.
✔ Fluxo de caixa
A adoção de mecanismos como Split Payment (pagamento fracionado diretamente ao fisco) altera o fluxo financeiro e restringe capital de giro.
✔ Sistemas
É obrigatório:
Atualizar sistemas para gerar XML com CBS/IBS.
Adequar NFS-e ao novo layout nacional.
✔ Classificação fiscal
A correta classificação na nova NBS e nos novos códigos fiscais é indispensável para evitar rejeição de notas.
5. O que muda em 2027
2027 marca o início da aplicação efetiva das novas regras, com consequências financeiras reais.
Principais mudanças para 2027:
✔ Cobrança real da CBS
A CBS começa a ser cobrada em sua alíquota cheia, substituindo PIS, Cofins e IOF/Seguros (extintos nesse ano).
✔ Início do Imposto Seletivo (IS)
Tributo regulatório aplicado a produtos e serviços prejudiciais à saúde ou meio ambiente.
✔ Transição gradual do ISS e ICMS para o IBS
O IBS começa a substituir ICMS e ISS progressivamente até 2033.
✔ Possibilidade de mudança no Simples Nacional
Empresas do Simples poderão optar por calcular o CBS/IBS "por fora" do regime, caso seja mais vantajoso.
✔ Ajustes finais nos sistemas
Os valores deixam de ser simbólicos e passam a gerar recolhimento, exigindo:
Revisão de precificação
Revisão contratual com clientes
Atualização definitiva dos sistemas internos
6. Como prestadores de serviço devem se preparar
Com base nas orientações das principais consultorias e do governo:
6.1. Ajustar sistemas e ERPs urgentemente (2026)
✔ Adequar NFS-e nacional✔ Implementar CBS/IBS nos documentos fiscais✔ Validar regras e cálculos
6.2. Reavaliar precificação e contratos
O imposto “por fora” e a não cumulatividade exigem novos cálculos de margem e repasse.
6.3. Revisar fornecedores
Você só terá crédito se o fornecedor recolher corretamente os tributos.
6.4. Capacitar a equipe financeira e contábil
A transição é complexa e exige treinamento.
6.5. Monitorar mudanças regulatórias contínuas
A regulamentação está sendo ajustada ao longo de 2025 e 2026.
7. Conclusão
A Reforma Tributária traz desafios imediatos, principalmente operacionais em 2026 e financeiros a partir de 2027. Para prestadores de serviços, o impacto tende a ser significativo, devido às características do setor e às novas regras de crédito.
Por isso, preparação antecipada não é opcional — é uma necessidade estratégica.




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